Com 101 andares, empresa entrega prédio mais alto da China

 



 
 
 

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04/04/2008

Redação Web Luxo

Fotos: The New York Times

   Shanghai World Financial Center será inaugurado em maio e terá 101 andares

Minoru Mori, o mais prolífico dos incorporadores imobiliários japoneses, vai concluir a construção do mais alto edifício da China em maio. Muitos de seus colegas podem considerar o Shanghai World Financial Center, de 101 andares, como a coroação de uma longa carreira. Mas, apesar de seus 73 anos, Mori ainda tem muitos planos.

Como presidente da Mori Building, de Tóquio, ele transformou a paisagem da capital japonesa com 11 conjuntos de edifícios muito altos, entre os quais o Roppongi Hills, complexo de 11 hectares de área e custo de US$ 4 bilhões.

Agora, ele está negociando propostas para construir centros semelhantes aos que está concluindo em Xangai nas cidades de Bancoc e Cingapura. E planeja também construir mais 10 grandes complexos como o Roppongi Hills no centro de Tóquio, entre os quais o edifício mais alto do Japão, nos próximos 10 ou 15 anos.

Projeto é de Minoru Mori, considerado um dos maiores incorporadores imobiliários japoneses

Mori também está conversando com fundos soberanos de investimento da China e do Oriente Médio sobre investimentos de dezenas de bilhões de dólares em seus projetos.

Em um momento no qual os planejadores urbanos do Ocidente rejeitam os edifícios de altura elevada, Mori vem propondo uma nova sensibilidade urbana asiática na qual a arquitetura reflete a ascensão das ambições econômicas e conduz a projetos de porte imenso que podem apequenar o indivíduo.

"A Ásia é diferente dos Estados Unidos e da Europa", disse Mori em entrevista, no seu escritório no complexo de Roppongi Hills. "Sonhamos com cidades mais verticais. De fato, a única solução aqui é subir e usar mais o céu".

Mesmo em uma região na qual os construtores produzem arranha-céus como que em linha de montagem, os de Mori se destacam. Os projetos dele conquistaram atenção, e causaram não pouca controvérsia, devido ao seu forte impacto e escala avultada, e isso o ajudou a tornar um dos poucos investidores imobiliários asiáticos cujo nome é conhecido, como Stanley Ho e Li Ka-shing, bilionários dos imóveis de Hong Kong.

 

Dois operários utilizam o elevador de serviço do empreendimento. Mori recebeu propostas para construir prédios semelhantes em Bankoc e Cingapura

Ao se concentrar em uns poucos projetos de longo prazo e evitar compras e vendas especulativas, a companhia dele escapou à bolha dos imóveis dos anos 80 e ao colapso que se seguiria.

A improvável carreira de Mori começou quando ele decidiu abandonar o romance existencialista que estava escrevendo, em 1959, e aceitar emprego na empresa de imóveis de seu pai, que estava começando a crescer. Nas cinco décadas que se seguiriam, a Mori Building cresceu de uma única loja de arroz para um império de 121 edifícios e US$ 12 bilhões. Quase todas as propriedades do grupo se localizam no distrito internacional de negócios na zona sul da capital japonesa, os bairros de Toranomon e Roppongi.

"Eu troquei a literatura pelos edifícios", disse Mori, que desempenhava papel central na empresa mesmo antes de assumir o comando, quando da aposentadoria de seu pai, Taikichiro, em 1993. "As duas coisas são esforços de criação, e tentativas de enriquecer as pessoas, de alguma maneira".

Hoje, o polido e paciente Mori, com seus cabelos brancos como a neve e óculos de aros dourados, parece mais um professor universitário do que um magnata dos imóveis. Mas, o clã Mori, que inclui seus dois irmãos, chegou ao topo de um setor onde a concorrência é feroz, superando grupos industriais e construtoras dotados de excelentes conexões políticas.

Os especialistas em imóveis dizem que o sucesso dos Mori se deve a uma capacidade superior à dos rivais de antever o futuro e de produzir edificações que atendem às necessidades da economia japonesa em seu rápido desenvolvimento.



A empresa atraiu inquilinos de alcance global ao construir alguns dos primeiros edifícios modernos de escritórios de Tóquio. Os primeiros 45 tinham números em lugar de nomes. Nos anos 80, Mori conduziu a família à construção de edifícios altos e ajudou a cidade, propensa a terremotos, a superar seu medo de arranha-céus.

No Japão, os projetos podem avançar lentamente. O Roppongi Hills e o primeiro complexo de altitude elevada de Mori, o Ark Hills, inaugurado em 1986, demoraram 17 anos cada para serem completados. Boa parte do tempo é requerida para superar as exigências burocráticas e persuadir centenas de moradores relutantes a abandonar suas casas.

Mesmo nos anos 90, uma era de queda nos preços dos terrenos, ele persuadia bancos e investidores a emprestar os bilhões de dólares necessários para bancar seus projetos. Mas, o pesado endividamento sobrecarregou a Mori Building com um passivo de US$ 8 bilhões, quase seis vezes sua receita anual.

A disposição de Mori de recorrer a empréstimos o afastou de seu irmão mais novo, Akira, que fundou a Mori Trust, uma incorporadora imobiliária separada. O mais velho dos irmãos Mori, Kei, morreu em 1990.

Na empresa, Mori é conhecido por sua visão de longo prazo e por sua preocupação com os menores detalhes. Em recente reunião de planejamento de um edifício de 46 andares - em um dos 10 novos complexos - ele dedicou quase uma hora a discutir que forma de paisagismo atrairia mais vagalumes e manteria os corvos distantes. E ele está a ponto de começar a construção de um projeto, com conclusão prevista para 2012, que ao ser inaugurado terá levado 28 anos para realizar.

Mori aprecia toques artísticos em seus edifícios. A torre de Xangai tem um buraco retangular no topo, o que a torna parecida com um abridor de garrafas gigante. O shopping center Omotesando Hills, em Tóquio, conta com um riacho artificial, enquanto a torre Moto-Azabu Hills se alarga no topo, e parece uma garrafa invertida.

Nem todo mundo gosta. "Mori conhece esses projetos melhor do que ninguém", disse Yuichi Fukukawa, professor de planejamento urbano na Universidade de Chiba. "É assustador, mas se ele quiser encher Tóquio de projetos como Roppongi Hills, tem toda a capacidade de fazê-lo".

Fonte: The New York Times



 


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