Imóveis de Luxo

   


» Governo francês se desfaz de mansões históricas de Paris

 20/09/2007

 Redação Web Luxo
 

 

Mãos ianques: Grupo dos EUA comprou
o hotel Concorde Saint Lazàre por
101 milhões de euros

Parte da maravilhosa paisagem arquitetônica de Paris está prestes a mudar de mãos. Encalacrado com uma dívida pública de mais de um bilhão de euros, o governo francês começou a se desfazer de uma dezena de anéis e vendeu vários chateaux e hotels particuliers (mansões históricas). Alguns desses anéis são famosos, como o Hotel Concorde da estação Saint Lazàre, vendido pela empresa estatal Societé National des Chémins de Fer (SNCF) para o fundo de pensão americano Westbrook por 101,5 milhões de euros. Outro é o luxuoso prédio localizado no número 2 da rue Montalembert. Mas os dedos ainda são gigantescos: o Estado francês possui nada menos que 26 mil propriedades – entre fortalezas, mansões históricas e bens rurais, um patrimônio respeitável, avaliado em nada menos que 40 bilhões de euros.

Êxodo: a venda de imóveis do governo está fazendo a burocracia francesa deixar o centro de Paris

O programa de venda de imóveis do governo francês teve início em 2003. No ano passado, essas vendas renderam ao Estado 480 milhões de euros; em 2006, o lucro foi de 630 milhões de euros. Mas a pressa do governo em se desfazer de alguns imóveis tem levado, em alguns casos, a situações insólitas. Num deles, o Ministério da Cultura vendeu várias mansões históricas dos séculos XVII e XVIII, localizadas em bairros nobres e com mais de três mil metros quadrados cada uma. Mas, por razões burocráticas, esses edifícios só serão liberados para os compradores no ano que vem. Resultado: o governo está pagando aluguel dos próprios imóveis para os compradores até que consiga realojar seus funcionários. Críticos apontam essa distorção como resultado do açodamento do governo em se desfazer de alguns imóveis.

Símbolo: O Hôtel de Ville, sede
da Prefeitura de Paris, é um dos
edifícios que jamais serão vendidos

Na origem desse processo está um escândalo já antigo, que envolveu o então primeiro-ministro conservador Alain Juppé. Em 1995, segundo denúncia do jornal satírico Canard Enchaîné, ele alojou parentes em prédios da Prefeitura de Paris localizados em bairros nobres da capital – como a rue Jacob, em Saint German-de-Près – com aluguéis muito abaixo dos preços de mercado.

A revista descobriu ainda que os filhos do então prefeito Jean Tiberi também alugavam apartamentos funcionais na mesma área do sofisticado
6ºarrondissement (bairro).

O escândalo levou à decisão de vender alguns imóveis governamentais suntuosos e pouco funcionais. O fenômeno está fazendo com que parte da burocracia francesa seja deslocada do rico centro de Paris para a periferia da capital. Mas certamente não passa pela cabeça de nenhum dirigente francês vender o mais famoso edifício público da França, o esplendoroso Hôtel de Ville, prédio renascentista francês que abriga a Prefeitura de Paris.

O local, sede da administração municipal desde o século XIV, também é caro aos franceses por ter sido palco de grandes eventos históricos, como a prisão de Robespierre em 1794, a proclamação da Terceira República em 1870, a Comuna de Paris em 1871 – quando o edifício foi incendiado – e o discurso de Charles De Gaulle quando Paris foi libertada da ocupação nazista, em agosto de 1944. Não, definitivamente a França não se tornou tão plebéia a ponto de se desfazer do Hôtel de Ville.
 

 




 

 


 


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