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» Seis brasileiros recebem prêmio ex aequo da 7ª Bienal
    Ibero-americana de Arquitetura

Quase três mil pessoas de todo o mundo ibero-americano participaram da Bienal, dentre eles muitos estudantes.


27/10/2010

Redação Web Luxo



Parte do Instituto Inhotim - complexo museológico dedicado à arte contemporânea em Brumadinho (MG) -, o Centro Educativo Burle Marx é um pavilhão horizontal, de pavimento único. Sua cobertura-jardim (também usada para a realização de mostras) mescla-se à paisagem. A obra é do escritório Arquitetos Associados - Alexandre Brasil Garcia e Paula Zasnicoff Cardoso.


A 7ª Bienal Ibero-americana de Arquitetura e Urbanismo aconteceu entre 11 e 14 de outubro, em Medelim, com o tema "A Arquitetura para a Integração da Cidadania", reunindo arquitetos e urbanistas de todos os países de línguas ibéricas, incluindo Espanha e Portugal.

Dentre os 35 projetos finalistas, premiados ex aequo, seis eram brasileiros: Casa em Ubatuba (SP), de Angelo Bucci; Box House (SP), de Yuri Vital; Centro Educativo Burle Marx-Inhotim (MG), de Alexandre Brasil Garcia e Paula Zasnicoff Cardoso; a Sede da Fundação Iberê Camargo (RS), de Alvaro Siza Vieira; Museu do Pão (RS), de Francisco de Paiva Fanucci e Marcelo Carvalho Ferraz, e o Hospital Sarah-Rio (RJ), de João da Gama Filgueiras Lima (Lelé).


Com espaços amplos e fechados por panos de vidro serigrafado, decorativo e lúdico, a Biblioteca São Paulo, do escritório Aflalo & Gasperini, integra a revitalização urbana da cidade. O edifício está implantado Parque da Juventude, grande área de lazer e cultura que substituiu a nefasta Casa de Detenção do Carandiru, em São Paulo.


O Memorial da Imigração Japonesa (MG), de Gustavo Penna; a Biblioteca São Paulo (SP), da Aflalo & Gasperini; o Edifício Aimberê (SP), de Andrade Morettin e a Praça Victor Civita (SP), de Levisky Dietzsch, também estiveram em exposição durante o evento.


A antiga área degradada, ocupada por um incinerador, se transformou em praça sustentável no bairro de Pinheiros, zona oeste de São Paulo. Projeto de Levisky Dietzsch, a Praça Victor Civita tem decks e laje alveolar para evitar o contato dos visitantes com o solo contaminado.

Os arquitetos Abilio Guerra, Ruth Verde Zein e Fernando Mello Franco representaram a participação brasileira no evento. Marcelo Carvalho Ferraz, do Brasil Arquitetura, além de finalista, também palestrou, junto de seu sócio Francisco Fanucci. "Encontramos pouquíssimos brasileiros, além dos que eram palestrantes. Em se tratando de um evento com mesas redondas de altíssimo nível, é uma pena que o Brasil esteja praticamente fora deste processo de encarar os problemas das cidades", lamenta Ferraz.


No Parque Ecológico da Pampulha (MG), o pavilhão de exposições arredondado, suspenso sobre espelho d'água e com dois acessos laterais curvos que representam Minas Gerais e Japão divide espaço com obras de Oscar Niemeyer. A obra é do mineiro Gustavo Penna.

Segundo o arquiteto, quase três mil pessoas de todo o mundo ibero-americano participaram da Bienal (dentre eles, muitos estudantes), "mas quase nenhum do brasileiro".


Um moinho restaurado e um pavilhão transparente compõem o Museu do Pão, do escritório Brasil Arquitetura, na cidade de Ilópolis (RS).

Autores do projeto finalista intitulado Museu do Pão, Ferraz e Fanucci falaram em sua apresentação sobre a relação entre museus e a cidade, dando destaque a outros projetos, como o Museu Rodin (BA), o de Igatu (BA) e do Pampa (RS, ainda em construção).


Fachada de duas unidades do conjunto Box House, projeto arquitetônico de Yuri Vidal, em São Paulo, um dos premiados ex-aequo pela 7ª Bienal Ibero-americana, em Medelim

Um jovem brasileiro que esteve na Bienal foi o finalista Yuri Vital, que expôs sua já premiada ideia Box House. "O evento foi incrível, e nos surpreende como é muito divulgado localmente, em ônibus, táxis, outdoors; a população de Medelim conhece arquitetura, debate-a, e participa da Bienal; é um exemplo para o Brasil", avalia.

Para Yuri, o interesse dos colombianos pela arquitetura está na função que ela adquiriu – principalmente em Medellín – como ferramenta de integração social e de identidade cidadã com o espaço urbano: "era uma cidade de muitas regiões pobres, dominadas pelo narcotráfico, e que foram recuperadas com uma série de novos edifícios e equipamentos urbanos, como praças e bibliotecas públicas, em arquitetura invejável, muito aproveitada pela população."

Bienal de Arquitetura do Chile vai focar na reconstrução
Na esteira dos eventos que debatem cidadania e integração social como objetivo da arquitetura e do urbanismo, acontecerá em Santiago do Chile, de 18 a 27 de novembro, a 17ª Bienal de Arquitetura, em edição especial que vai comemorar o bicentenário da independência chilena com o tema "Re-Construção".
 


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