Fashion & Acessórios

   


» Alta costura, fast fashion e arquitetura

O objetivo é oferecer a uma plateia bem maior a fantasia e a inteligência da Lanvin, usando estampas ousadas, babados arrojados e cores vivas

09/11/2010

Herald Tribune

O estilista Alber Elbaz, da Lanvin, em foto de divulgação de nova linha para a H&M

“Isto não é apenas um vestido mais barato – para mim trata-se mais de um laboratório para entender coisas”, afirma Alber Elbaz, da Lanvin, referindo-se à sua coletânea de 30 peças para a H&M, apresentada nesta semana, e que será colocada à venda em 23 de novembro.

O designer – o mais recente na linha de colaborações da Hennes & Mauritz, que teve início com Karl Lagerfeld em 2004, e que incluiu Stella McCartney, Comme des Garçons e Victor & Rolf – trouxe a sua feminilidade rebelde para a rede de “fast fashion” sueca.

O objetivo é oferecer a uma plateia bem maior a fantasia e a inteligência da Lanvin, usando estampas ousadas, babados arrojados e cores vivas como amarelo sunshine, bem como criações imaginativas em preto. Em outras palavras, trazer o estilo de alta costura que Elbaz envia de Paris para o mundo.

“Mas eu estava pensando na definição de luxo e na H&M, e queria que elas crescessem, e não que a Lanvin caísse”, diz o designer.

Elbaz afirma que desejava fazer “marcas de gosto” e descobrir “como fazer isso por 99,99 euros”, referindo-se ao preço típico de uma roupa de uma coleção inteira que inclui acessórios, sapatos e um conjunto de 20 peças masculinas.

Embora as roupas sejam vendidas em todo o mundo, a Hennes & Mauritz tem um motivo especial para gostar da coleção de Paris: uma nova loja de 2.800 metros quadrados nos Campos Elísios, projetada pelo arquiteto francês Jean Nouvel – a primeira vez em que uma rede de “fast fashion” trilhou a rota arquitetônica. O conceito de uma loja exclusiva que cria um marco na cidade costumava ser reservado para grandes nomes como Chanel, Louis Vuitton ou Prada.

Com mármore pálido contrastando com acabamentos escuros, a loja tem três andares, criando um fundo fluido que é suficientemente flexível para proporcionar um fluxo constante de mudanças. O interior modernista é um pano de fundo para as roupas – mas com um toque techno: telas de LED criam projeções, como se a calçada e a loja fundissem-se. Os efeitos luminosos foram ainda mais dramáticos quando cores vívidas foram projetadas na fachada nos eventos para a inauguração da loja no mês passado.

Com 140 lojas na França e 11 só em Paris, a H&M é sem dúvida acessível a todos – o oposto do elitismo que é o cerne da alta costura. Elbaz admite que no passado tinha medo de colaborar com lojas de fast fashion.

“Eu nunca quis fazer isso, porque a impressão era de fornecer ideias de graça – como abrir mão de um filho para adoção”, diz Elbaz. “Mas tudo na vida tem a ver com o momento certo. Eu sinto que o mundo está mudando”.

A questão real não é a maneira como as redes podem oferecer as roupas a preços relativamente baixos. É evidente em qualquer área de venda a varejo que os grandes volumes derrubam os preços, especialmente se os produtos forem fabricados em países de mão de obra barata.

O desafio para as marcas poderosas que lutaram por supremacia durante a primeira década do novo milênio – tanto as lojas tradicionais, quanto, cada vez mais, as lojas online – é descobrir como elas próprias poderão reduzir os seus preços.

 



 


Receba periodicamente o resumo dos eventos e novidades do luxo
clique aqui