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» Móveis americanos são novo símbolo de status

  17/12/2007
 

Os norte-americanos ricos instalam home theaters nos quintais de suas casas. Os milionários britânicos aderem a clubes de automóveis de luxo. Mas as pessoas que enriqueceram recentemente na China, Índia, Rússia e Emirados Árabes Unidos adotaram algo de surpreendente como um novo símbolo de status: a mobília norte-americana.

Ainda que a maioria dos fabricantes do setor esteja enfrentando perspectivas sombrias, uma semana atrás, no High Point Market - maior evento mundial do setor moveleiro, com 85 mil visitantes e 1,1 milhão de metros quadrados de área de exposição, muitos fabricantes de móveis finos estavam se concentrando em um dos poucos pontos positivos para o setor: o crescente mercado internacional para móveis de luxo norte-americanos.
De acordo com pessoas do setor, os consumidores ricos em países que aderiram apenas recentemente à cultura do consumo sofisticado agora consideram que a mobília norte-americana é tão desejável quanto porcelana de Limoges e carros esportivos italianos.

A adoção relativamente recente do culto aos estilos mais atualizados de design, combinada ao trabalho de designers conhecidos e à longa tradição artesanal do país, ajudou a cultivar uma imagem que atende ao desejo dos consumidores estrangeiros pelo melhor em todas as categorias. E eles estão gastando o bastante para isso, optando por cadeiras de jantar com encostos de ébano raro, sofás acolchoados a mão e conjuntos de jantar que acomodam 20 pessoas confortavelmente.

"Essas pessoas já fizeram compras em todo o mundo, e o que elas desejam são produtos bem projetados e produzidos de maneira que supere os padrões cotidianos", disse Steve Nobel, presidente da Luxury Home Alliance, uma organização que promove produtos e serviços de luxo, norte-americanos e internacionais, para moradias.
Mas isso não é tudo que os consumidores desejam, disse Jerry Epperson, que analisa o mercado norte-americano de mobília para a Mann, Armistead & Epperson, em Richmond, Virgínia. Eles também desejam produtos que exibam o status que conquistaram, um desejo a que a mobília norte-americana, projetada em escala grande e construída com esmero, é perfeitamente capaz de atender.

"Estive no Japão, China, Índia, todos esses lugares, e uma das coisas de que eles se vangloriam é ter mobília norte-americana em casa", disse Epperson.
"A implicação é de que, para isso, eles tenham casas grandes o bastante para abrigar mobília em padrão norte-americano". Radha Chadha, consultora de marcas em Hong Kong, disse que a mobília norte-americana era instantaneamente reconhecível para muitos asiáticos, e portanto servia como símbolo tangível de status.
"Enquanto outras marcas de produtos de luxo, como bolsas Louis Vuitton, podem ser usadas por consumidores asiáticos de todas as classes sociais", ela disse, "apenas as pessoas realmente mais ricas podem arcar com o custo de mobília norte-americana de luxo".

Para o setor moveleiro norte-americano, que vem atravessando uma crise uma séria crise, há muita ironia nesse desdobramento recente. A despeito dos esforços intensos para manter empregos industriais na Carolina do Norte, o coração industrial do setor há mais de 100 anos, na última década muitas empresas sucumbiram às mesmas pressões de globalização que atingiram outros setores norte-americanos.
Agora, a maior parte da mobília "norte-americana" vendida por fabricantes veneráveis como Thomasville, Broyhill e Hooker Furniture na verdade é produzida em lugares como a China, Filipinas ou Vietnã.

E mesmo que a transferência tenha ajudado a manter os preços competitivos nas faixas mais baixas e médias do mercado - e em muitos caso até forçado baixas recorde-, os gastos norte-americanos com móveis caíram mais este ano do que em qualquer momento desde 1982, de acordo com Epperson.
As fábricas mais sofisticadas não foram poupadas: cerca de 11 dias antes do abertura da feira de High Point, a Henredon, uma fabricante norte-americana de mobília fundada em Morganton, Carolina do Norte, em 1945, que produz linhas com as assinaturas Ralph Lauren e Barbara Barry, além de sua própria marca, anunciou que fecharia uma grande fábrica em High Point, com a demissão de mais de 500 pessoas.

"É algo muito difícil de fazer, porque temos muita amizade e relacionamentos pessoais com esses funcionários", disse Tom Tilley, o presidente da Henredon. "É dilacerante".
A empresa planeja abrir uma nova fábrica, de menor porte, na Carolina do Norte, para produzir material sob encomenda, e espera contratar mais de 100 pessoas, mas a maior parte do trabalho de marcenaria será transferida às Filipinas.

Enquanto isso, as vendas da Henredon no exterior não param de crescer, disse David Parker, vice-presidente de vendas internacionais da empresa. Ainda que a Furniture Brands International, que controla a Henredon, não divulgue os números de cada divisão (o faturamento da empresa caiu em 10,99% no segundo trimestre de 2007, ante o período no ano anterior), Tilley afirmou que as vendas externas hoje respondem por 10% do faturamento do grupo, proporção duas vezes superior à que existia em 2004.

"Continua a ser uma proporção pequena, mas ainda assim oferece um jeito excelente de compensar a relativa fraqueza da economia nos Estados Unidos", ele afirmou, acrescentando que o crescimento nesse segmento havia sido "uma deliciosa surpresa". Na feira da semana passada, compradores de 24 países visitaramna Ucrânia, Indonésia, Índia, França e Armênia fecharam contratos de compra du o estande da Henredon, e os primeiros clientes que a empresa conquistou rante o evento.

Fonte: New York Times

 


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