
Altamente calórico, o chocolate é o vilão das
dietas, mas pode ser consumido com moderação por
pessoas saudáveis. Nutritivo, contém vitaminas e
sais minerais, além de alto teor de flavonóides --
antioxidantes que podem ajudar a reduzir os riscos
de doenças cardiovasculares e de substâncias
precursoras da serotonina --responsável pela
sensação de prazer e bem-estar.
Para esclarecer as principais dúvidas e curiosidades
a respeito dessa iguaria, a Folha ouviu 17
profissionais da indústria de chocolate e das áreas
de dermatologia, endocrinologia, nutrição,
otorrinolaringologia, pediatria e psiquiatria.
1. Chocolate faz bem para a saúde?
Alguns estudos, não conclusivos, dizem que os
antioxidantes presentes no chocolate amargo combatem
os radicais livres, retardando, assim, o
envelhecimento, e ajudam a diminuir os níveis de LDL
(o mau colesterol) no sangue. Ele contém vitaminas
A, B, C, D e E e sais minerais, como o ferro e o
fósforo. De qualquer modo, por ser altamente
calórico, deve ser consumido com moderação inclusive
por pessoas saudáveis. O chocolate ao leite e o
branco são os menos recomendados, devido às gorduras
saturadas presentes no leite.
2. Qual é a quantidade recomendada por dia?
A Organização Mundial de Saúde não recomenda o
consumo de nenhum tipo de doce. Para quem não
resiste, o importante é não ultrapassar o limite
diário de até 50 gramas, em função dos altos teores
de açúcar e gordura.

3. Qual é o mais e o menos calórico?
O chocolate amargo e o ao leite têm praticamente as
mesmas calorias.
4. O "diet" engorda? E o "light"?
Como não tem açúcar na composição, o teor de gordura
do "diet" precisa ser maior, para garantir a mesma
consistência. Em alguns casos, ele chega a ser mais
calórico que o chocolate comum, por isso é indicado
apenas para diabéticos, não para pessoas com
restrição calórica. Já os "light" têm menos gordura
e, por isso, menos calorias.
5. Quem não deve comer chocolate de jeito nenhum?
Pessoas sensíveis podem ter enxaqueca provocada por
alergias ou devido à ação de substâncias
vasodilatadoras presentes no chocolate, além de
irritações na pele, no estômago e na mucosa
intestinal. A tosse pode ocorrer como manifestação
alérgica, embora não seja comum. A diarréia pode ser
causada pelo consumo excessivo, devido ao alto teor
de gordura, razão pela qual pessoas com problemas no
fígado devem evitá-lo. Estima-se também que de 10% a
15% das pessoas com doenças labirínticas tenham
problemas com o metabolismo de açúcar.
6. E as crianças? A partir de que idade o consumo de
chocolate é liberado?
Ele deve ser desestimulado em qualquer idade, devido
ao alto teor de açúcar e gordura. Quanto mais cedo a
criança começar a comer chocolate, pior. No primeiro
ano de vida, as chances de intolerância à lactose
(açúcar encontrado no leite animal) são maiores.
7. Qual o é o efeito dele na pele? Dá espinha? E dos
cosméticos à base de chocolate?
Nenhum estudo científico comprova a relação entre o
consumo de chocolate e o surgimento de espinhas.
Alguns dermatologistas, no entanto, afirmam que
pacientes com propensão à acne relatam piora após a
ingestão exagerada de chocolate. Já os efeitos de
cosméticos e tratamentos para a pele à base de
chocolate, disponíveis desde a Antigüidade, são
duvidosos. O óleo do cacau hidrata a pele apenas
superficialmente, podendo ser usado em peles
ressecadas ou envelhecidas, embora existam produtos
mais eficazes.

8. Chocolate pode causar dependência?
Sim. Ele contém três substâncias que podem
provocá-la: a teobromina, a cafeína e a
feniletiamina. Para ser caracterizada como
dependente, a pessoa precisa consumir chocolate para
se sentir bem ou ter sintomas depressivos quando
fica muito tempo sem comê-lo. Geralmente, o problema
afeta os indivíduos angustiados e os ansiosos.
9. Como são os chocolates especiais para pessoas
alérgicas à lactose e ao glúten?
A maioria dos produtos voltados a pessoas com
intolerância à lactose utiliza o leite de soja no
lugar do leite de origem animal. Como alternativa,
existe o chocolate amargo, que não leva leite na sua
composição. Já as pessoas com intolerância ao glúten
devem consultar as informações no rótulo do produto
para se certificar que o recheio ou os outros
ingredientes são livres da substância. Chocolate
puro não contém glúten.
10. Por que, ao comê-lo, sentimos melhora de humor e
alívio no estresse?
Porque ele contém substâncias que estimulam a
produção de serotonina, um neurotransmissor que
ajuda a combater a depressão e a ansiedade, além de
estimular os centros de prazer e de bem-estar.
11. Chocolate é afrodisíaco?
Dessa crença popular, difundida há séculos, o que se
sabe é que ele estabiliza neurotransmissores
relacionados a sensações prazerosas, como a dopamina
e a serotonina, e favorece a liberação de endorfinas
e encefalinas que produzem o prazer.
12. Se a pessoa concentrar o consumo do ano todo na
Páscoa, pode ter uma intoxicação?
Ela só vai ocorrer se o chocolate estiver
contaminado por alguma toxina. Mas o consumo
exagerado pode provocar diarréia.
13. Qual é o prazo de validade de um chocolate? Ele
dá algum sinal de que está impróprio para o consumo?
Em seis meses, ele começa a perder o sabor e o
aroma, mas pode durar até um ano. Quando é submetido
ao calor excessivo, a sua gordura sobe à superfície:
o chocolate fica manchado, mas não significa que
está estragado.

14. Por que se diz que os chocolates belgas,
franceses, suíços e venezuelanos são tão superiores
aos brasileiros?
Países europeus, como Bélgica e Suíça, não plantam o
cacau que utilizam. Sua fama de fazer bons
chocolates decorre dos grãos utilizados, da
tecnologia empregada e da tradição --os suíços foram
os primeiros a fabricar chocolates ao leite, e os
belgas lideram o mercado de produtos voltados a
profissionais. Na Venezuela, o grão de cacau é
superior ao brasileiro, considerado ácido por
alguns.
15. Assim como ocorre com o café e o vinho, as
características do chocolate podem variar de acordo
com o tipo de solo e de clima?
Sim. A quantidade de calor, de umidade, o tipo de
solo e a variedade do grão interferem na qualidade
do cacau. Assim como acontece com as uvas, uma
pequena variação ou um declive do solo pode alterar
o aroma, a textura e o sabor do fruto que dará
origem ao chocolate. Quando ele é produzido com
grãos de uma região específica, é chamado de
chocolate de origem. Os grãos cultivados na América
costumam ter um sabor mais marcante de frutas, ervas
e flores, dependendo da região.
16. Os chocolates com mais cacau são os melhores?
O conceito é relativo, já que depende do gosto
pessoal. Mas, quanto maior a quantidade de cacau,
menor a de outros ingredientes que mascaram o seu
sabor. Para um chocolate derreter facilmente na
boca, a quantidade de manteiga de cacau é
determinante, porque seu ponto de fusão é a
temperatura do corpo humano: quando entra em contato
com o calor da boca, o chocolate derrete.
17. Por que se presenteia na Páscoa com ovos de
chocolate?
O costume começou há cerca de 3.000 anos com os
chineses, que comemoravam o início da primavera no
Hemisfério Norte, oferecendo ovos de pata e galinha
pintados em cores fortes. O ritual pagão celebrava a
volta à vida, após um inverno rigoroso e os longos
meses em que a natureza permanecia coberta de neve.
A data coincide com a Páscoa cristã, que marca a
ressurreição de Cristo. Com o tempo, o costume se
espalhou pelo mundo, e outros materiais substituíram
o ovo animal, como a madeira e as pedras. Em meados
de 1828, o desenvolvimento da indústria de
chocolates na Inglaterra consolidou o produto como
matéria-prima nesta época. No Oriente, no entanto,
os ovos de chocolate ainda não foram totalmente
incorporados à cultura.
DE QUE É FEITO O CHOCOLATE
Amargo: massa de cacau (resultado da
trituração das favas), manteiga de cacau, açúcar e
lecitina de soja (estabilizante usado para tornar a
mistura homogênea)
Ao leite: adiciona-se leite em pó à massa de
cacau, à manteiga de cacau, ao açúcar e à lecitina
de soja
Branco: manteiga de cacau, açúcar, lecitina
de soja e leite em pó
