
Degustado sobre uma bela louça de porcelana chinesa
com talheres de luxo ou grosseiramente embalado em
papel jornal e comido com as mãos, o 'fish and
chips' sempre ocupou um papel central na gastronomia
britânica, 150 anos depois de sua criação.
O prato nacional sobreviveu à expansão das redes de
'fast-food', depois à moda da alimentação natural.
Cerca de 10.500 estabelecimentos, ou 'chippies' como
são conhecidos, servem entre 250 e 350 milhões de
refeições anualmente na Grã-Bretanha.
Popularizado a princípio nas classes operárias, o 'fish
and chips' foi se impondo pouco a pouco em todas as
camadas da sociedade, ao pondo de se transformar no
prato que hoje é servido até nos restaurantes mais
sofisticados.
Situado no 'West End' londrino, o J. Sheekey tem
mesas muito disputadas, inclusive por celebridades
como Jude Law e Kate Moss, onde os atores relaxam
depois de se apresentar nos teatros dos arredores.
Com as paredes forradas de madeira e a roupa de mesa
de um branco imaculado, o restaurante tem tudo o que
se espera de um local refinado. Mas o 'fish and
chips' aparece no menu.
"É um dos pratos que mais saem", com de 150 a 200
porções servidas por semana, revela o chef Richard
Kirkwood. "Para mim, há qualquer coisa de especial
em deslizar a faca na massa leve, crocante, e depois
na parte macia do peixe para comer tudo junto",
explica à AFP.
"Você tem a crocância, a maciez, o petits pois, as
fritas sequinhas. É um grande prato", se desmancha.
Por 17,50 libras (19 euros), pode-se degustar uma
refeição realmente especial. O englefim, frito em
uma massa de manteiga leve e servido com batatas
crocantes, é apresentado com os acompanhamentos
tradicionais de molho tártaro, vinagre, catchup,
mesmo se for pedido no J.Sheekey, com champanhe.
Algo bem distante das origens modestas do prato,
nascido da combinação de peixe fruto preparado nas
comunidades judaicas do 'East End' londrino e de
batatas fritas colhidas no nordeste industrial da
Inglaterra.
A Federação Nacional (NFFF) considera que o primeiro
"chippie" foi criado em 1860. John Walton, autor de
um conto sobre 'fish and chips', conta que o prato
se disseminou com a expansão da estrada de ferro, no
fim do século XIX e com o aparecimento dos barcos a
vapor.
Depois da Primeira Guerra Mundial, virou um prato
nacional. E nos anos 1930, Harry Ramsden foi o
primeiro a oferecê-lo aos clientes mais abonados em
seu restaurante de Yorkshire, que deu lugar a uma
rede em voga ainda hoje.
Em 2008, o 'fish and chips' foi apresentado perante
a rainha na lista das preferências dos britânicos.
Os parlamentares festejam neste ano o aniversário de
criação do prato, ao proclamá-lo "o coração da
cultura britânica".
