
O grupo francês Alstom, fabricante do novo
trem-bala que quebrou o recorde mundial de velocidade
sobre trilhos, informou estar "muito interessado" na
abertura de uma unidade no Rio de Janeiro para
fabricar os trens e metrôs previstos no projeto de
ampliação da rede ferroviária do Estado.
"Confirmamos ao governador do Rio, Sérgio Cabral,
nossas intenções de abrir a fábrica no Rio. Se
obtivermos o contrato, investiremos na nova unidade",
afirmou à BBC Brasil Philippe Mellier, presidente da
Alstom Transportes, sem precisar, no entanto,
os valores.
Segundo Mellier, a decisão da Alstom de criar a
fábrica dependerá do volume de encomendas efetuadas
pelo governo do Rio.
"O Rio de Janeiro está bastante interessado no
desenvolvimento do transporte ferroviário do Estado e
principalmente da capital, que tem grandes problemas
de trânsito e necessita de mais metrôs", disse o
presidente da Alstom.
Trem bala Rio - São Paulo
A empresa francesa já forneceu os vagões do metrô do
Rio.

"Estamos razoavelmente otimistas com a possibilidade
de concluirmos um contrato para produzir no Rio os
trens que serão integrados à rede ferroviária
estadual", afirmou Mellier.
O governo do Rio prevê encomendar, por meio de
licitação, 120 novos trens na segunda fase do Programa
Estadual de Transportes. A primeira fase, que termina
em junho, reformou 50 trens antigos e comprou 20
novos, fabricados pela Coréia do Sul. Nessa segunda
fase, os investimentos para a compra dos novos trens
seriam da ordem de US$ 400 milhões, disse Sérgio
Cabral à BBC Brasil.
O governador do Rio foi convidado para assistir ao
teste oficial de quebra do recorde do TGV (trem de
grande velocidade) francês.
O TGV bateu o recorde mundial de velocidade sobre os
trilhos, atingindo 574,8 km/h por hora. O recorde
anterior era de 515,3 km/h e também havia sido batido
na França, em 1990.
O governador se reuniu com a direção da Alstom
para discutir os eventuais investimentos da empresa no
Estado. Na próxima semana, a direção do grupo francês
irá ao Rio de Janeiro para continuar as negociações.
De acordo com Júlio Lopes, secretário de Transportes
do Rio, que integra a comitiva do governador, o Estado
tem planos de que a Alstom invista na
reativação da fábrica ferroviária de Santa Matilde, em
Três Rios, onde funciona o pólo ferroviário do Estado.
A Alstom também demonstra grande interesse na
construção do trem de grande velocidade entre o Rio de
Janeiro e São Paulo.
O projeto já foi anunciado pelo governo federal no ano
passado, mas por enquanto a decisão ainda não saiu do
papel.
"Se houver uma licitação para o trem-bala entre São
Paulo e Rio apresentaremos uma proposta para ganhar",
disse o presidente da Alstom.
Nas propostas apresentadas no ano passado ao governo
brasileiro para a construção do TGV, participaram uma
empresa italiana e duas alemãs.
Mellier diz, no entanto, que esse projeto de TGV no
Brasil deverá ter um custo bastante alto em razão do
relevo montanhoso entre as duas capitais.
"Quando o trajeto é plano, os investimentos são
menores. Tudo depende da topografia e da quantidade de
túneis e pontes", diz ele.
Para o secretário de Transportes do Rio, o desejo de
implantar esse sistema de grande velocidade é grande,
apesar das "enormes dificuldades", principalmente em
relação ao custo.
