
A passagem da Aston Martin pela
pistas, na década de 60, foi breve, mas marcante. Foi
a época em que as marcas inglesas se tornaram rivais à
altura das italianas, com os Jaguar, Lotus, Allard,
Morris, Cooper pretendendo brigar de igual para igual
com a força bruta de Ferrari, Maseratti, Lancia, Alfa
Romeo.
Mas é muito mais preciso dinheiro e estrutura do que
vontade de defender a "union jack" para, nas corridas,
se sair bem contra fábricas que desde sempre
investiram pesado na construção de carros e motores
formidáveis. Daí que, aos poucos, as marcas inglesas
foram deixando os circuitos para quem realmente tinha
condições.
Mas pelo menos para a Aston Martin, a passagem pelas
pistas não foi mau negócio. Fabricante tradicional de
esmerados superesportivos, foi a preferência natural
do produtor de cinema Albert Broccolli quando passou a
realizar a série de filmes de James Bond, com Sean
Connery no papel do principal agente de Sua Majestade,
James Bond 007. Os belos desenhos, as tradicionais
rodas raiadas e o ronco grosso dos motores V8 e V12
fizeram dos AM os carros mais cobiçados do mundo. Mas
faltava o carimbo das pistas, aquela confirmação de
que a fábrica não era fabulosa apenas na ficção.

Quarenta anos depois, a Aston busca a redenção: lançou
o modelo DBR9 no começo de dezembro. Para os
entusiastas dos carros ingleses, é o sonhado retorno
às pistas, nas quais eram representados pela
claudicante Jaguar na Fórmula Um e pela solitária
Marcos na categoria Gran Turismo. A estréia do DRB9 já
está marcada: na maratona das 12 Horas de Sebring,
Flórida, em março do próximo ano.
Aston Martin está disposta a não fazer figuração na
principal categoria da GT internacional. Por causa
disso é que está construindo 12 carros que
representarão as três equipes oficiais da fábrica.
Além disso, outros 20 serão produzidos, a serem
vendidos a times independentes ou a colecionadores
dispostos a pagar US$ 5 milhões por cada exemplar.
O DBR9 é uma derivação do modelo topo de linha da
fábrica, o DB9, tanto que utiliza o mesmo chassi e
estrutura de fibra de carbono e alumínio. O motor
também é o mesmo: o V12 de seis litros, com bloco e
cabeçote de alumínio, que rende 450 bhp, mas que
retrabalhado pela equipe chegará aos 600 bhp com a
ajuda de uma transmissão de seis velocidades.
